HISTOPATOLOGIA E CITOPATOLOGIA: CUIDADOS ESSENCIAIS NO MOMENTO DA COLETA

Em medicina, o padrão de qualquer diagnóstico laboratorial está condicionado às possibilidades das amostras de representarem a condição do paciente. Em anatomia patológica, além da citopatologia de raspados, lavados e decalques (imprint), temos as amostras teciduais  da lesão colhida do animal vivo (biopsia), de peças cirúrgicas (de lesão ressecada totalmente/patologia cirúrgica) e de necropsia (colhidas de cadáveres).

Os cuidados com as amostras de tecido devem passar pela coleta, fixação e acondicionamento, de forma a permitirem ao Patologista a  elucidação diagnóstica (conclusiva) e/ou a exclusão ou inclusão de suspeita(s).

O exame citológico apresenta como característica principal, rapidez e praticidade no diagnóstico quando comparado ao exame histopatológico por necessitar de pequena quantidade de material. Sua desvantagem é não permitir a visualização da arquitetura do tecido, portanto, deve ser considerada uma “tentativa” de antecipar o diagnóstico.

Desta forma, foram instituídos cuidados essenciais no momento da coleta:

Citopatológico:

  • Deve-se utilizar sempre lâminas limpas;
  • Após a colheita do material as lâminas devem ser fixadas (secas) ao ar;
  • Em seguida fixadas em etanol (a partir de 70%) ou metanol e conservadas em temperatura ambiente.
  • A identificação deve ser feita no recipiente com adesivo ou esparadrapo;
  • O envio ao laboratório deve ocorrer em, no máximo, 48 horas;
  • Uma ficha deve acompanhar o material de solicitação de exame com dados do animal, proprietário e veterinário, junto a um histórico detalhado e a suspeita do médico veterinário.

Histopatologia:

  • Pode-se enviar toda lesão ou amostra(s) representativa(s) da lesão, a qual contenha áreas de tecido normal e alterado/comprometido (área de transição, isto quando esta não for difusa);
  • No momento da fixação a amostra deve ter 1,0 cm de espessura. Caso a lesão ultrapasse essa recomendação, deve-se fazer cortes seriados de no máximo 1 cm (“tipo pão de alho”) para possibilitar penetração do fixador e fixação ideal;
  • As amostras devem ser fixadas por uma solução aquosa fixadora de formol à 10%, preferencialmente tamponada e neutra;
  • O frasco deve ser proporcional ao tamanho da amostra e de boca larga para permitir sua retirada do recipiente após fixado;
  • A proporção do volume da solução fixadora para o da peça deve ser de 15 X 1, ou seja, 15 vezes o volume de formol para o volume da amostra a ser fixada;
  • Deve acompanhar o material, uma ficha de solicitação de exame com dados do animal, proprietário e veterinário, junto ao histórico detalhado e a suspeita do médico veterinário.

Para postagem:

  • Os fragmentos são colocados sobre uma manta de algodão ou gase umedecida pelo fixador e recobertos com outra nas mesmas condições (também umedecida);
  • Acondicionam-se as mantas com os fragmentos, em recipiente plástico (sacos plásticos p/ congelamento, p. ex.) e veda-se (com o “ziper” do saco plástico, durex etc);
  • Envelopa-se e posta-se convencionalmente, junto com a solicitação do exame (como descrito acima);
  • É recomendável manter reservas fixadas do material até o laudo conclusivo.

Autores:

Rachel Bittencourt Ribeiro
CRMV 12.200

Hassan Jerdy Leandro
CRMV: 12.720

 

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