Hemograma x “Máquinograma”

Nas últimas décadas observou-se uma grande evolução tecnológica na realização dos exames laboratoriais, e as técnicas manuais foram quase que completamente substituídas por sistemas automatizados que apresentam maior precisão nos resultados e em um menor prazo de tempo.

Estas inovações mudaram a rotina dos laboratórios, trazendo mais agilidade e eficiência e, por consequência, melhor qualidade e confiabilidade nos resultados.
Ao mesmo tempo em que tais inovações tecnológicas beneficiaram os laboratórios, elas também permitiram o surgimento de equipamentos compactos para rotinas pequenas, sendo rapidamente incorporados e adaptados para as clinicas veterinárias de médio à grande porte, como os Hospitais Veterinários 24 horas, cada vez mais comum no mercado Pet.

No entanto, estes processos automatizados não estão isentos de erros, sobretudo, considerando-se dois aspectos: equipamento e amostra. Em relação ao primeiro podemos citar os problemas relacionados com a má calibração do aparelho utilizado, falhas elétricas ou mecânicas, assim como variações de voltagem (pico de energia). Em relação ao segundo, o volume ou as características (presença de microcoágulos ou hemólise) da amostra podem afetar negativamente a precisão dos resultados.

O Hemograma é o exame laboratorial, de triagem inicial, utilizado para a avaliação quantitativa e qualitativa de três importantes componentes do sangue: os eritrócitos (também chamados de hemácias ou glóbulos vermelhos), os leucócitos (chamados também de glóbulos brancos) e as plaquetas. Importante no auxilio ao diagnóstico, rotineiramente indicado para avaliação de anemias, neoplasias hematológicas, reações infecciosas e inflamatórias, avaliação de distúrbios hemostáticos e acompanhamento do protocolo terapêutico.

Apesar de ser um exame aparentemente simples de ser realizado, a leitura incorreta de determinado parâmetro, pode levar a um diagnóstico equivocado e, como consequência, trazer sérios problemas para a saúde do animal. É por isso, que deve ser preferencialmente analisado e interpretado por um médico veterinário capacitado e com especialidade em patologia clínica, uma vez que resultados dentro ou fora dos padrões de normalidade podem ter significados diferentes.

Alguns fatores, como medicamentos, esforço físico, estresse, desidratação, intoxicação, gravidez, dentre outros, podem influenciar diretamente na contagem global de leucócitos, hemácias, hemoglobina, hematócrito e, ainda causar alterações como agregados plaquetários.

Somente com o auxilio do microscópio é que podemos fazer a contagem diferencial dos glóbulos brancos (leucócitos), uma vez que os equipamentos de hematologia veterinária ainda não conseguem avaliar com exatidão as células mielóides, por exemplo. Assim como na identificação de hemoparasitas, como a Babesia e a Ehrlichia causadoras da popular doença do carrapato, Microfilárias conhecida como o verme do coração, dentre outros parasitas, como também, na identificação e correção de agregados plaquetários que causam uma falsa informação (pelo equipamento) de diminuição na contagem de plaquetas. Por este motivo, é que a Cell Lab adota a microscopia óptica como obrigatoriedade em 100% de sua rotina.

Assim, podemos concluir que apesar de todas as vantagens trazidas pelas inovações tecnológicas ao mercado Pet, os equipamentos automatizados de hematologia ainda não são capazes de analisar todos os dados gerados em um hemograma. É preciso bastante critério na avaliação dos mesmos. Passar uma amostra de hemograma na máquina e tomar os resultados frios para fim de diagnóstico é um erro grave e pode gerar sérias consequências, inclusive, causar o óbito de um animal, uma vez que esse resultado poderá influenciar diretamente na conduta terapêutica a ser adotada frente a diversas patologias.

A Cell Lab adota um criterioso processo desde a coleta (na clínica), armazenamento, transporte do material biológico (amostras), recepção no laboratório, processamento das amostras, análise, até a digitação, confecção e liberação dos laudos. Tudo isso, também, está associado a instalações adequadas, equipamentos modernos e específicos veterinários, devidamente calibrados e validados por manutenções técnicas periódicas e equipe técnica capacitada. A padronização em todas as etapas dos procedimentos no laboratório é de fundamental importância para a obtenção da exatidão, eficiência e precisão dos resultados. Permitindo, ao colega e parceiro médico veterinário, a correta interpretação do estado clínico do seu paciente.

Conte com a qualidade CELL LAB e lembre-se, MÁQUINA NÃO FAZ HEMOGRAMA.

#maquinanãofazhemograma #maquinogramanãoéhemograma

Guilherme Senra Santos – CRMV-RJ nº 8610
Formado em Medicina Veterinária em julho de 2005 pela Universidade Estadual Norte Fluminense (UENF).
Pós-graduação Latu sensu em Clínica médica e cirúrgica de pequenos animais no Instituto Qualittas.
Pós-graduação latu sensu em Patologia clínica veterinária no Instituto Qualittas.
Curso de patologia clínica veterinária na Prolab Diagnósticos Veterinários.

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